A Aromaterapia tem sido um tema bastante debatido nos últimos anos, mas a verdade é que existe há bastante tempo e vários profissionais recorrem a ela para diversas situações.

Está enquadrada nas chamadas Terapias Alternativas mas gosto de pensar na Aromaterapia como uma Terapia Complementar a diversas outras e que também pode ser conjugada com a Medicina Tradicional.

Este tipo de Medicina Natural usa óleos essenciais para auxiliar o bem-estar físico, psicoemocional e até espiritual dos indíviduos.

Fala-se muito de óleos essenciais mas é preciso entender o que são, como usar e como identificar um óleo essencial de excelência.

Um óleo essencial é um produto obtido das plantas através da hidrodestilação, destilação a vapor ou prensagem a frio de cascas de cítricos. São líquidos com altas concentrações de princípios activos e têm que estar devidamente quimiotipados (com molécula activa definida).

Poderão ser retirados de diversas partes das plantas como as raízes, flores, cascas, frutos, folhas, troncos, sementes, resinas.

Os óleos essenciais deverão ser 100% puros e naturais e ter uma certificação de qualidade que garanta que são seguros para utilizar em diversas pessoas e situações.

Existem várias formas de utilização mas explicando de  modo mais generalizado falarei na inalação (através do olfacto), topicamente (através de uso na pele) e internamente (ingerindo o óleo essencial).

 

Juntamente com os óleos essenciais são usados também óleos vegetais, principalmente se usarmos na pele e de forma interna, de modo a ser possível fazer uma diluição para uso seguro dos óleos essenciais.

Uma vez que podemos ingeri-los, eu recomendo que escolham uma marca que tenha em conta a qualidade o óleo essencial, a pureza, a eficácia e a sustentabilidade das plantas.

Existem diversas marcas no mercado, mas os critérios que defendo na escolha dos óleos essenciais são os seguintes:

  • Nome do óleo essencial, espécie, subespécie e nome em latim no frasco;
  • Informação de 100% puro no frasco;
  • Certificação de garantia de qualidade (ex: CPTG);
  • Número do lote (para verificação da cromatografia – onde encontramos os componentes bioquímicos dos óleos essenciais).

 

Além da formação como Aromaterapeuta Clínica sou também Assessora de Lactação e uma das perguntas que mais me fazem é se poderemos usar óleos essenciais em bebés.

A resposta é sim, mas depende.

Quer a mãe amamente ou não, normalmente a minha recomendação é que se use óleos essenciais após os três meses de vida. Isto porque estes são considerados os meses do quarto trimestre de gravidez – fora do útero (ou exterogestação) – e são nesses três primeiros meses em que o bebé se está a adaptar ao mundo exterior.

Por essa razão é essencial que se usem poucos odores ou nenhuns que interfiram com a procura pelo cheiro da mãe (pai, outros intervenientes), pois nos primeiros meses os bebés guiam-se essencialmente pelo olfacto e pelo tacto. Se usarmos odores que possam interferir poderemos ter um bebé mais agitado, irritado e poderemos ter pais confusos sobre o motivo do choro do bebé. Além de que não queremos que nada impossibilite o vínculo entre os pais e o bebé.

No entanto, se as quantidades forem muito reduzidas, os pais podem usar algum óleo essencial que auxilie o bem-estar (do bebé ou de todos).

Pela minha experiência os pais procuram bastante a Aromaterapia para auxiliar com as cólicas, sonos e irritabilidade do bebé. Poderemos sempre fazer o uso consciente dos óleos essenciais tendo em conta que há um recém-nascido no seio familiar.

 

Quando falamos do uso da Aromaterapia temos que ter em conta que nem todas as pessoas poderão usar todos os óleos essenciais por diversas situações (características do indivíduo, preferências, patologias, histórico familiar, etc), mas quando estamos a tratar de bebés e crianças o cuidado tem que ser redobrado, mesmo ao nível da inalação pois alguns óleos essenciais apresentam neurotoxicidade e o organismo de bebés e crianças é ainda imaturo para inalar um produto 100% puro (um óleo essencial demora menos de 30 segundos a chegar ao cérebro).

É possível o uso tópico em bebés e crianças, com boas diluições e tendo em conta todo o quadro clínico, psicoemocional, etc.

A nível interno, recomendo apenas o uso em crianças e depende bastante da situação.

 

Alguns dos óleos essenciais mais seguros e indicados para bebés e crianças são:

  • Lavanda (lavandula angustifolia);
  • Árvore de Chá (melaleuca alternifolia);
  • Laranja (Citrus sinensis);
  • Limão (citrus x limon);
  • Louro (laurus nobilis);
  • Ravinsara (cinnamomum camphora);
  • Camomila Romana (Anthemis Nobilis);
  • Tangerina (citrus reticulata).

 

Qualquer utilização de óleos essenciais, na minha opinião, deverá ter sempre apoio de um profissional credenciado em Aromaterapia, pois o que tenho visto bastante é uma banalização do uso de óleos essenciais levando a que as pessoas a descredibilizem e usem de forma errada, com pouca informação e segurança.

Irei dar um exemplo muito prático que está relacionado com o óleo essencial de lavanda.
Quase toda a gente com quem falo recorre a este óleo para ajudar a acalmar e dormir melhor. No entanto, existem Lavandas depressoras do sistema nervoso central e outras que são estimulantes do sistema nervoso central.

Não sabendo informações como esta de antemão podes correr o risco de comprar um óleo essencial errado para uma situação específica e usá-lo de forma imprópria podendo levar a um efeito colateral indesejado a curto, médio ou longo prazo.

 

Algumas informações importantes adicionais:

  • Nem todos os óleos essenciais poderão ser ingeridos devido às suas características específicas;
  • Nem todas as pessoas usam o mesmo óleo essencial do mesmo modo;
  • Nem todos os óleos essenciais são indicados para a mesma situação;
  • Cada pessoa é única e é preciso fazer uma consulta especializada para ter em conta todo o historial do próprio e outros membros da família.

 

Previligia a segurança e o uso consciente dos óleos essenciais.
A Aromaterapia é um mundo maravilhoso que tem imensas coisas boas para nos oferecer a vários níveis. Temos apenas que respeitá-la o suficiente para perceber que se precisamos de recorrer a ela temos que pedir ajuda primeiro. 🙂

 

Sofia Marques

Aromaterapeuta Clínica

Assessora de Lactação

Categorias: A convite

0 comentários

Deixe uma resposta

Avatar placeholder

O seu endereço de email não será publicado.