O que é na verdade a Osteopatia Pediátrica e porque se considera tão essencial que todos os bebés sejam vistos, independentemente do tipo de parto?

Começarei pelo mais importante: desmistificar o conceito porque, ao contrário da Osteopatia no Adulto que muitas vezes é associado, erroneamente, à manipulação, não se realiza manipulação num bebé, sendo que grande parte da intervenção é terapia sacro-craniana.

Esta intervenção, tal como o próprio nome indica, é uma terapia manual em que o terapeuta atua sobre este sistema, de forma extremamente suave, permitindo que o corpo volte ao seu equilíbrio. O foco desta terapia é o crânio e sacro. Porque é na base do crânio, mais propriamente no occipital, que sai o nervo vago, responsável pela inervação de alguns órgãos e vísceras, situados na região do tronco e abdómen.

Fala-se muito no nervo vago, sobretudo pelas questões do refluxo gastro-esofágico, obstipação, cólicas, entre outros, mas não podemos esquecer que ao nível do crânio se encontram doze pares cranianos muito importantes, alguns destes também responsáveis pelos músculos da face e língua, tão importantes na Amamentação.

No entanto, a osteopatia pediátrica vai mais além e avalia as estruturas ósseas, articulares, miofasciais e a sua biomecânica. Avalia-se o movimento do bebé, o padrão que se coloca em repouso, como gatinha, como reage quando se facilita determinado movimento, como se encontram os reflexos, ou seja se já estão integrados, entre outras situações.

Tal como anteriormente foi referido, todos os bebés devem ser vistos, independentemente do tipo de parto que tiveram. Será mais “emergente” serem vistos quando existe a utilização de instrumentos (fórceps ou ventosas) ou cesariana, no entanto, é sabido que os bebés podem adoptar posturas e modificar a forma do crânio sobretudo nas últimas semanas de gestação, portanto TODOS devem ser vistos.

Nos últimos dois anos considero que os pais procuram cada vez mais fazer este despiste inicial, mas ainda está longe de ser algo usual. 

A Osteopatia Pediátrica não tem qualquer contra-indicação e está indicada para as seguintes situações:

– Refluxo

– Plágiocefalias ou Braquiocelafias

– Cólicas e/ou obstipação

 -Torcicolo Muscular 

– Otites médias

– Problemas de sono (sobretudo relacionados com perturbações estruturais)

 

Joana Pais
Fisioterapeuta com formação em Osteopatia Pediatrica e Saúde da Mulher |
Pilates Clínico |Assessora de Lactação

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