O Sono é um tema quente desde sempre e acompanha-nos ao longo de toda a vida.


Por várias razões, muitas delas culturais temos em nós uma curiosidade latente no que ao sono dos outros diz respeito, mas nem sempre cuidamos do nosso sono tão bem quanto poderíamos.


Mas vamos por partes e comecemos talvez pela mais quente deste tema. Quando uma mulher engravida um dos conselhos que mais ouve: “dorme agora, que depois é que vai ser terrível” e mentalmente ela vai-se preparando para isso e como a Natureza é sábia, lá mais para o final da gravidez o corpo vai dando uma ajuda, com um sono cada vez mais leve e despertares frequentes: nada é por acaso e o corpo da mãe está a preparar-se para a despertar ao menor sinal da sua “cria”.Depois nasce o bebé e quase automaticamente passa a ser premissa que ele “aprenda” a dormir a noite toda.

Ora sobre isto terei de alongar um pouco mais a explicação, é necessário acalmar mães e pais ansiosos:

Não é suposto que um recém nascido consiga dormir uma noite inteira, em primeiro lugar porque tem necessidades alimentares que precisam de ser atendidas, depois porque os três primeiros meses de vida são uma adaptação ao mundo fora do corpo da mãe, tem necessidade de contacto e de toque constante e é normal que assim seja.

Assim sendo, os bebés não precisam de aprender a dormir pois “já sabem dormir desde antes de nascer. Dormir é imprescindível para a vida. Uma pessoa que não dorme morreria antes de outra que não se alimenta.

É importante recordar e aceitar que o Ser Humano, (apesar de querermos por imposições sociais acreditar no contrário), precisa de Amor, de Afeto, de ser Confortado e Acolhido. Tenha acabado de nascer, tenha 3, 10, 30 ou 50 anos.

Aos nossos filhos é nossa tarefa garantir esse aconchego. Que não deve ter horários nem deve ter de ser mendigado. Dar-lhe Segurança é responsabilidade nossa, mesmo que estejamos muito cansados ou mesmo que nesse momento “não dê jeito”. Querer que eles durmam, porque “tem de ser”, “está na hora” ou “porque temos coisas para fazer” é estarmos a desligarmo-nos dessa responsabilidade.

Assim, é obrigação nossa propiciar-lhes as condições para que descansem, para que caso precisem se sintam tranquilos e seguros para adormecer.

Eu compreendo a urgência de os fazer dormir: as licenças parentais são curtas e é difícil ao fim de quatro meses uma mãe ter forças para ir trabalhar no dia a seguir quando esteve acordada a noite inteira.

Mas, os bebés pequeninos estão a aprender e nós também: não lhes neguemos colo pois um dia eles vão deixar de pedir, vão passar a considera-lo uma raridade, quando nós deveríamos ser para eles a sua maior certeza.


Passados os primeiros anos de vida, a criança entra na idade escolar, há que “deitar cedo e cedo erguer porque dá saúde e faz crescer” e mais uma vez somos pressionados pelo relógio e pelo sono.

Como é possível se saímos tarde do trabalho e temos todos os afazeres de final de dia e não tarda é hora de deitar?

Quantas vezes e quantos dias depois de os deitarmos ainda temos de ir preparar o dia seguinte, rever mochilas, adiantar refeições, passar a roupa a ferro?

Quando pensamos em ir ver um filme ou relaxar um pouco e somos vencidos pelo sono?


Os anos continuam a passar, surge o fascínio pela noite e os nossos filhos (aqueles a quem exigíamos que dormissem a noite toda) começam a querer sair com os amigos, descobrir o mundo e nessa fase nem dormem eles nem dormimos nós: eles porque se estão a “ganhar asas e a voar do ninho” e nós a “segurar o coração” enquanto esperamos que eles regressem à casa.


Mais tarde, na idade adulta algumas atividades profissionais exigem trabalho por turnos e podem surgir novamente alterações de sono.


Com o passar dos anos e mais para o final da adultez é normal que surjam novamente alterações, quer seja por se ter necessidade de “deitar com as galinhas” ou por se passar a ter despertares precoces.


Desta forma se verifica que o Sono é um tema que nos acompanha ao longo da nossa Vida.

Quaisquer questões relacionadas com alterações significativas no padrão de sono, em qualquer idade, podem e devem ser avaliadas e acompanhadas por profissionais.


É fundamental caracterizar o indivíduo e o seu contexto para assim o melhor poder ajudar a fazer “as pazes” com o seu Sono, lembrando que é preciso dormir, mas não nos podemos esquecer de “Viver”.

Catarina Silva Almeida
Psicóloga Especialista 
Ordem dos Psicólogos Portugueses n•63
Tlm: 967367186

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